Publicando a tradução do Otelo, uma das obras mais monumentais de
Shakespeare, entendi que seria um crime mutilar esta tragédia por mal
cabido pudor, deixando de traduzir frases que, embora rudes, não me
julguei autorizado a eliminar. Fiz uma tradução quase literal; não quis
ter o indesculpável orgulho de emendar e dar tardias lições a
Shakespeare, o grande génio britânico que, se essas frases empregou,
teve, por certo, razões para o fazer, as quais me não é dado perscrutar.
Segui-o; obedeci à linguagem do mestre e, como tradutor, devo estar
isento, para o público, da responsabilidade da linguagem, que ele por
certo hoje não empregaria, mas que a fidelidade da tradução me obrigou a
conservar; de outro modo, seria uma imitação que nunca firmaria com o
meu nome, apresentando-a como tradução.
Publicando a tradução do Otelo, uma das obras mais monumentais de
Shakespeare, entendi que seria um crime mutilar esta tragédia por mal
cabido pudor, deixando de traduzir frases que, embora rudes, não me
julguei autorizado a eliminar. Fiz uma tradução quase literal; não quis
ter o indesculpáv...